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Atos de João – “Eis aí a tua mãe”

Existem algumas lembranças que permanecem marcadas dentro de mim. Fogo que não se extinguiu. Foi alimentado ao longo dos anos e hoje arde intensamente em meu coração.

Vi aquele mulher silenciosa ao lado de Jesus. “Mais uma discípula”, pensei. Doce e meiga, educada, serena. Pareceu-me sensível, porém forte. Era uma das nossas.

Logo percebi que era bem mais do que uma entre outras. Jesus a chamava de mãe. Nós a chamávamos “Maria”. Mas isto durante pouco tempo. “Mãe”, deu-nos esta liberdade – “nossa mãe”. Acolhidos que fomos por ela, nos sentimos tão próximos que era natural tratá-la assim.

a paixao de cristo - gibson - mada maria joaoNão era como as outras. Havia algo no brilho do seu olhar que nos fazia enxergar a eternidade, o céu.

Haviam me falado sobre uma profecia de que uma espada de dor lhe traspassaria a alma (cfe. Lc 2, 35). Eu vi. Estava junto quando esta lança atravessou o seu doce coração! Fosse eu, não suportaria. Não era apenas a dor de perder um filho (suficiente para me prostrar por terra!), entregava ela também a sua alma, o seu espírito. No último suspiro de Jesus, levava ele consigo o fôlego de sua mãe. Lágrimas e sofrimento, não desespero.

No alto da cruz o mestre deu-ma como mãe. Não apenas minha, mas nossa. Naqueles dias após a a cruz, quanta dor quanto amor. Não saberia dizer se acolhi ou fui acolhido.

Voltou-lhe o fôlego para gritar: “- Ressuscitou!”  A esperança se tornou vida” também ela recebeu nova vida.

Ah, como pudemos experimentar dessa amável companhia! Sabia amar e ser amada. Mais ainda, ensinava a amar.

À sua volta, nos reuníamos. Soube acolher a todos. Tornou-se aconchego, refúgio e amparo. Não poderia esquecer! Mestra do amor, mãe de Jesus, Mãe de Deus – Maria!

 

Publicado originalmente em 24 de março de 2012.

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