Como ler a Bíblia?

filipe e o enucoFilipe levantou-se e partiu. Ora, um etíope, eunuco, ministro da rainha Candace, da Etiópia,
e superintendente de todos os seus tesouros, tinha ido a Jerusalém para adorar. Voltava sentado em seu carro, lendo o profeta Isaías. O Espírito disse a Fi

lipe: Aproxima-te para bem perto deste carro. Filipe aproximou-se e ouviu que o eunuco lia o profeta Isaías, e perguntou-lhe: Porventura entendes o que estás lendo? Respondeu-lhe: Como é que posso, se não há alguém que mo explique? E rogou a Filipe que subisse e se sentasse junto dele” (At 8,27-31).

É… muitas vezes parece que somos como este ministro da rainha com um texto bíblico nas mãos! Como é que posso entender o que estou lendo?

A situação fica ainda mais difícil quando decidimos começar a leitura da Bíblia como se fosse um outro livro de literatura qualquer. Abrimos no primeiro capítulo de Gênesis, vamos para o segundo, terceiro… terminamos o primeiro livro bíblico, passamos para Êxodo. Parece que a coisa está indo bem! Muitas histórias, situações dramáticas. Nascimentos, aventuras, assassinatos, idas e vindas, praticamente um enredo de filme ou novela (já vimos esta novela antes??). Entramos no livro de Levíticos e o caminho fica bem mais árduo. Chegamos em Números. Pronto. A empolgação acabou de vez e agora só os fortes resistirão no propósito da leitura da Bíblia de capa a capa.

Bem, não podemos excluir este tipo de leitura, nem tampouco desestimular quem o queira fazer. Mas devemos admitir que a Bíblia não foi escrita historicamente nesta sequência e então, provavelmente, não será desta forma que poderemos ter um melhor proveito dela.

Entre várias sugestões para entrarmos em contato com o texto bíblico, devemos, primeiramente, definir qual é a intenção que temos – estudo, leitura por prazer, curiosidade, passatempo, oração… Se entendermos o porquê queremos ler a Bíblia, ficará mais fácil compreendê-la também.

Por exemplo: a Bíblia poderá ser (e é recomendável que seja) um livro a ser utilizado em nossas orações – pessoais e comunitárias. Na liturgia que celebramos nas Igrejas – que é oração comunitária – ela é indispensável. A Palavra de Deus é proclamada nas eucaristias, batizados, casamentos etc. Nas orações familiares ou mesmo em nossa oração individual a Bíblia surge como o Livro inspirado, que sustentou a fé de milhões de cristãos ao longo dos dois mil anos da Igreja e ao redor do mundo inteiro.

Ela poderá ser utilizada para um estudo aprofundado de temas relativos à nossa fé – para tanto, seria importante um guia que auxiliasse na busca dos textos específicos a cada tema. O Catecismo da Igreja Católica se utiliza diversas vezes dos textos bíblicos para explicar, justificar, exemplificar os dados da fé.

E é claro que ela poderá ser um texto de leitura como um clássico da literatura. Neste caso, os livros sapienciais (Jó, Provérbios, Eclesiastes, Eclesiástico, Cântico dos Cânticos, Salmos, Sabedoria) serão um ótimo estímulo que atrai a leitura até mesmo daqueles que não necessariamente estão ligados a uma religião. São da sabedoria universal.

Bem, espero que este pequeno texto, sirva de estímulo para começar um contato mais próxima com a Bíblia!

Robert Rautmann

Teólogo