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Deus te criou mulher

Deus te fez mulher

(tradução minha do texto de Francine Vincent, do livro “Maîtres Spirituels pour aujourd’hui”)

Várias mulheres educaram o povo na fé. Joan Chittister nos apresentou (1) doze delas, doze discípulas. Algumas presidiram comunidades cristãs recém-criadas. Outras eram discípulas de Paulo. Podemos reconhecer nelas grandes carismas: uma presença de qualidade, uma grande disponibilidade, um senso de liderança. Suas vidas são coloridas de alegria, confiança, sabedoria e amor. Entre as mulheres da Bíblia, algumas merecem nossa atenção.

Lídia (At 16,14)
você nasceu em uma região de comércio, que fervilhava de atividades, às margens do mar Egeu, na cidade de Tiatira. Você, inclusive,tornou-se mercadora de púrpura e por isso, mergulhou no coração de um imenso turbilhão de ideias e culturas que lhe abriu a experiências novas. Mulher forte, independente, culta, você não hesitou em abrir sua casa para acolher os cristão e caminhar com eles. Mulher livre, você abre à liberdade as mulheres que lhe circundam. Você lhes mostra uma maneira toda nova de ver o mundo e de reconhecer a presença de Deus nas próprias vidas.

Senhor Deus,
faz nascer “Lídia” neste mundo,
mulheres que permitem a outras de se transformarem,
de desenvolverem o que há de melhor nelas,
mulheres que, pela confiança nelas mesmas
e confiança em Vós,
inspirem um sentimento de segurança e um fervor
às pessoas que as cercam
e com quem elas estão dispostas se arriscarem no desconhecido
que lhes acena.

Priscila (At 18,18)
você conheceu as dificuldades e as superou. É em Corinto que você será encontrada, com seu marido Áquila, no trabalho de fabricantes de tendas. Desenraizada, exilada, abandonada a si mesma em um mundo onde os lares são a chave da segurança pessoal, você sobreviveu a estas dificuldades e você encontrou a força de estender a mão a outros excluídos.

Senhor Deus
faz nascer “Priscila” neste mundo,
mulheres que se engajam profundamente
na expansão do Evangelho,
mulheres de uma grande simplicidade
capazes de encontrar sempre o melhor
nas profundidades do ser humano,
mulheres que matam a sede dos outros na fonte de si mesmas
lá onde todos pensam estar seco.

Débora (Jz 4,4)
profetisa, você era juíza em Israel. Todos reconheciam sua grande sabedoria. Você assentava-se sob a palmeira às portas da cidade e julgava o povo. As pessoas submetiam seus problemas para obter repostas, esclarecer e retomar a calma interior.

Senhor Deus
faz nascer “Débora” neste mundo
mulheres que tenham sabedoria de ver
além dos fatos
que saibam escutar e compreender os motivos,
as razões, as consequências,
mulheres que, por sua confiança, possam reencaminhar
as pessoas ao caminho
e permitir-lhes superarem-se
mulheres que se doam totalmente para libertação dos outros
e permitem-lhes nascerem novamente.

Esther (Livro de Ester)
você se chamava Hadassa (pimenteira). Tornou-se Esther (estrela). Sua beleza seduzia a todos os passantes, a guarda real e o rei. Jovem judia, você ousou contestar o sistema político. Mostrou provas de grande coragem. Chegou a transformar a sociedade sem destruí-la ou dividi-la.

Senhor Deus,
faz nascer “Esther” neste mundo,
mulheres que colocam sua inteligência
e seu senso de liderança
para mobilização dos cidadãos em vistas do projeto em comum
de modo a renovar a coletividade.
Em nosso mundo dilacerado pela guerra
e pelos conflitos de toda sorte,
envia estes seres de paz e de reconciliação.

Isabel (Lc 1,39ss)
você é a prima de Maria, que foi acolhida por você em sua casa sem questionamentos, sem julgamentos, pois você via nela toda a sua bondade. Com fé, você agarrou-se à esperança e à fecundidade espiritual que você desvendou no olhar de Maria.

Senhor Deus,
faz nascer “Isabel” neste mundo,
mulheres visionárias, que vislumbram
além do imediato
e aceitam que a presença do outro em nossas vidas
muda o sentido de nossa própria existência,
profetisas que contemplam firmemente
para o futuro deste mundo
pois elas sabem que ele é habitação de Deus.

Francine Vincent

 

(1) CHITTISTER, Joan. L’amitié entre femmes. De Myriam à Marie-Madeleine. Montréal: Bellarmin, 2007.

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