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E a carta do Papa Francisco às famílias?

Dois anos de preparações, questionários respondidos por cristãos de todas as partes do mundo, três semanas de discussões intensas em outubro e um relatório final de 94 parágrafos, votados pelos participantes,ponto por ponto. Milhões de acesso diário ao boletim de imprensa do site do Vaticano, infintas discussões em sites, blogues e redes sociais. Aí está  em poucas palavras o que representou o Sínodo dos Bispos sobre a família realizado (em sua segunda parte) entre os dias 4 e 25 de outubro passado.

O assim chamado Relatório Final resume o resultados destas tantas discussões. E este resumo, como já dito, foi votado pelos participantes do Sínodo – chamados Padres Sinodais. Bispos, arcebispos e cardeais representando a Igreja Católica do mundo inteiro. Se você quiser acessar o texto deste Relatório na íntegra acesse o site do Vaticano. Logo ao final do documento aparece a quantidade de votos favoráveis e contrários para cada parágrafo.

É comum que ao final de um Sínodo de Bispos o papa escreva uma carta (chamada apostólica) para, com sua autoridade, subscrever o que foi apontado no sínodo. Ele sempre tem a competência para suprimir, acrescentar ou alterar qualquer coisa do relatório final. É o que se dará dia 8 de abril próximo através da Carta Apostólica Amoris laetitia (A alegria do amor).

Não é muito difícil prever qual será o conteúdo desta carta. Em linhas gerais seguirá o que temos no Relatório Final, com alguns acentos típicos do papa Francisco e um tom um pouco mais informal.

A formação das novas gerações para a vida conjugal e familiar terá um destaque importante. Uma formação que contemple a dimensão humana, religiosa e espiritual, que seja direcionada ao casal ou à cada um individualmente. Existem importantes experiências de paróquias, movimentos eclesiais e associações que auxiliam os futuros casais a bem viverem a vocação conjugal e familiar. É preciso, porém, ainda mais. O papa deverá insistir para que haja uma atenção maior, tanto na formação anterior à celebração do casamento, quanto após ela. E inclusive na formação dos filhos – objeto de tantas preocupações dos pais. As famílias católicas, quanto bem formadas, podem dar uma importante contribuição à sociedade no que diz respeito à educação das crianças e jovens. É  também dever do Estado permitir e apoiar que os pais possam transmitir seus valores e princípios aos seus filhos.

A dimensão sócio-econômica no qual as famílias estão inseridas não será esquecida. São muitas e complexas as situações que foram apresentadas durante o Sínodo. Cenários de pobreza extrema, condições precárias ou insuficientes de trabalho, alto nível de endividamento familiar. Contextos de guerras e movimentos de refugiados. Desamparo àqueles que se encontram em situações limítrofes como nascituros,  idosos, pessoas com deficiências, gestantes, adolescentes e jovens. Colocaria ainda nesta lista as famílias numerosas. Tenho a certeza de que neste futuro documento haverá uma palavra de esperança a todos estes, mas também uma crítica forte aos sistemas econômicos ou de governo que privilegiam as relações financeiras em detrimento à situação dos que são considerados “menos pessoas” ou “menos cidadãos”.

Certamente a palavra “misericórdia” aparecerá abundantemente na carta apostólica. Iniciamos no dia 8 de dezembro passado o Ano da Misericórdia instituído pelo papa Francisco através da Bula de convocação Misericordiæ Vultus. E, se podemos dar um título ao nosso papa, é de “misericordioso”. Ele reiteradamente relembra de que a misericórdia vai além da justiça e que sem misericórdia não há justiça de fato. Iremos ler, sem dúvidas, em sua carta apostólica sobre as atitudes de misericórdia que a Igreja Católica deve ter para com os seus membros que vivem situações de angústia e dor – casais separados, famílias monoparentais, as diversas situações matrimoniais, as pessoas com tendências homoafetivas, aquelas que passaram pela situação de aborto, os refugiados, as vítimas de exclusão de qualquer natureza.

O que veremos nesta próxima carta apostólica será mais um apelo do papa Francisco para que a Igreja se coloque a caminho: “prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (Evangelium Gaudium nº 49). E ao sair pelas ruas e caminhos danificados os cristãos encontrarão muitas pessoas e famílias abandonadas, fatigadas, desanimadas e frustradas. É para estas que o papa está olhando.

E  você, o que pensa que deverá conter esta carta do papa às famílias? Escreva nos comentários.

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