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Em caso de dúvidas…

abraão

Abraão é considerado o pai da fé e é também aquele que fez com o Senhor uma Aliança e através desta Aliança recebeu uma promessa:

“O Senhor disse a Abrão: “Deixa tua terra, tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrar. Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de bênçãos. Abençoarei aqueles que te abençoarem, e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem; todas as famílias da terra serão benditas em ti” (Gn 12,1-3).

Esta promessa que Deus fez a Abraão (ainda Abrão) implicava em uma atitude a ser tomada – “Deixa a tua terra”, “vai para a terra”. Podemos dizer aqui que Deus estava fazendo uma “troca” com Abraão, naquele pior sentido que a teologia da prosperidade interpreta? Não! Definitivamente não! Porém havia a necessidade de Abraão abandonar os seus velhos conceitos, velhos hábitos (inclusive a religião pagã de seus pais) para receber esta bênção de Deus. Mas esta exigência era, mais do que um mandamento, uma necessidade para a vida de Abraão. Não poderia tomar posse de sua terra se não saísse de sua posição de comodismo.

Abraão é nosso pai na fé. Ele recebeu a promessa de Deus. Mas é impressionante como Abraão necessitou que Deus lhe renovasse a promessa, lhe dissesse tudo de volta a respeito daquilo que herdaria:

“O Senhor disse a Abrão depois que Lot o deixou: “Levanta os olhos, e do lugar onde estás, olha para o norte e para o sul, para o oriente e para o ocidente. Toda a terra que vês, eu a darei a ti e aos teus descendentes para sempre. Tornarei tua posteridade tão numerosa como o pó da terra: se alguém puder contar os grãos do pó da terra, então poderá contar a tua posteridade. Levanta-te, percorre a terra em toda a sua extensão, porque eu te hei de dar” (Gn 13,14-17).

Abraão é o patriarca da fé por excelência! Mas ele é como nós, alguém que duvidou, que errou, que sofreu para tomar as decisões corretas. Não foi fácil para ele sair da sua terra, de seus conhecidos, da sua rotina. Não foi fácil para convencer aos demais (inclusive seus familiares) de que Deus havia falado com ele. Também não foi nada fácil para ele compreender que o filho da herança não era Ismael (a quem amava) e que deveria despedi-lo juntamente com a sua mãe (Agar). Dificuldade maior ainda quando lhe foi pedido que levasse Isaac para ser sacrificado. Uma vida de percalços, dúvidas, sofrimentos, mas com uma certeza inabalável de que Deus lhe chamava!

Inabalável? Bem, talvez não! Assim como todos nós, Abraão balançou na sua confiança em relação à promessa que havia recebido:

“E, conduzindo-o fora, disse-lhe: “Levanta os olhos para os céus e conta as estrelas, se és capaz… Pois bem, ajuntou ele, assim será a tua descendência. Abrão confiou no Senhor, e o Senhor lho imputou para justiça” (Gn 15,5-6).

Nesse momento de incertezas, quando o tempo passa e a promessa não se concretiza, Abraão vacila. Talvez fosse mais fácil ficar dentro da sua tenda, “curtindo” sua família. Quem sabe tinha sido uma ilusão aquelas palavras que haviam lhe ressoado na mente, no coração. Teria sido tudo alucinação? Desvario?

Podemos imaginar a cena: Deus toma Abraão pela mão, tira-o da tenda, aponta para a imensidão estrelada que estava sobre ele e diz: “levanta os olhos para os céus e conta as estrelas, se és capaz…”! Deus havia dado a promessa, já havia lhe dito que lhe daria uma descendência numerosa. Deus falou. Palavras. O tempo havia passado, Abraão estava desconfiado da promessa. Demoraria? Era verdade? Será que ouvi direito? Será que sou eu? Muitas das dúvidas que nos acometem também em momentos de escuridão, de ausência de boas-novas. Será que Deus havia me dado esta missão mesmo? Será que era para mim aquela promessa? Não estaria eu imaginando coisas?

Então Deus toma Abraão pelas mãos. É a palavra de Deus que se faz gesto, atitude e que desinstala. Talvez Abraão se sentisse incomodado com este movimento de Deus, mas era necessário ver! Deus já havia mostrado a terra que Abraão herdaria, agora mostra, através do infinito das estrelas, a sua descendência. Se Abraão estava acomodado, Deus estava trabalhando.

Em tempos de acomodação, de escuridão, de dúvidas, de medo, de desconfiança da palavra de Deus, que Ele nos tome pelas mãos e faça nossos olhos enxergarem que a sua promessa é verdadeira e não tardará!

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