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Ser cristão

sal luz e fermento

Os discípulos de Jesus devem ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-16; Mc 9,50; Lc 14,34-35) e o Reino de Deus é como o fermento na massa (Mt 13,33; Lc 13,20-21). São comparações que Jesus se utiliza para tentar explicar, de forma prática, como deve ser a ação dos cristãos, da Igreja, dos discípulos de Jesus em meio ao mundo.

Estas imagens são bastante sugestivas para todos os tempos da Igreja, mas em especial para o que nós vivemos. Existe uma “luta” para se manter a identidade católica. Bem, nem ao certo sabe-se o que seria isto. Conhecimento doutrinal? De todos os pontos? De alguns pontos? Seria um ou vários comportamentos morais? Um conjunto de símbolos, objetos, arquitetura, arte, música? Ligação com um outro personagem católico (cristão) da história? Pertencimento a um grupo, movimento, comunidade? Aproximação com a hierarquia? Participação nos momentos litúrgicos, celebrativos? Envolvimento em pastorais, organizações, conselhos? O que de fato considera-se ao dizer que alguém é católico?

Bom, o Código de Direito Canônico estabelece um parâmetro ao dizer que fiéis “são aqueles que, por terem sido incorporados em Cristo pelo batismo, foram constituídos em povo de Deus e por este motivo se tornaram a seu modo participantes do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo e, segundo a própria condição, são chamados a exercer a missão que Deus confiou à Igreja para esta realizar no mundo” – Cân.204 §l). No cânon seguinte o Código estabelece que está em plena comunhão com a Igreja Católica – ligado à fé, aos sacramentos e ao governo. Mas isto não descaracteriza aquele que é um fiel, batizado e, portanto, discípulo de Jesus! Pois, existe uma grande maioria que não compreende bem sua fé, recebe “razoavelmente” os sacramentos e obedece “a seu modo” o governo eclesiástico. Aí voltamos ao ponto inicial. Como saber quem é seguidor de Cristo, quem é cristão, quem é católico?

A resposta que podemos depreender das parábolas de Jesus é que Ele não se preocupa em definir claramente estes limites e faz alusão à figura do fermento, do sal e da luz, como exemplos para compreensão. Estes elementos que Jesus emprega em seus discursos, ao entrarem em contato com a realidade circunvizinha, modificam-na. Esta modificação não é, porém, uniformização, ou seja, o que está no entorno, não se torna “sal” ou “fermento” ou “luz”, mas algo de novo surge, uma nova realidade – a massa levedada, o alimento temperado, o ambiente iluminado.

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